SETOR DE BENS DE CAPITAL REGISTRA CRESCIMENTO DO FAURAMENTO DE 29,7%

SETOR DE BENS DE CAPITAL REGISTRA CRESCIMENTO DO FATURAMENTO DE 29,7%

 

A indústria de bens de capital mecânicos registrou faturamento nominal da ordem de R$ 65,4 bilhões no acumulado de janeiro a outubro de 2008, correspondendo a crescimento de 29,3% em relação a igual período do ano anterior. O consumo aparente (produção+importação-exportação) teve uma elevação de 37,3% no mesmo período, totalizando R$ 79,4 bilhões. Com base nesses e demais dados compilados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEEE/ABIMAQ), o presidente do Sistema ABIMAQ (SINDIMAQ/ IPDMAQ/ TRADEMAQ), Luiz Aubert Neto, estima que o setor deverá encerrar o ano de 2008 com expansão dos negócios e do faturamento acima de 20%.
Esse resultado positivo, e bem superior ao resultado dos últimos anos, é reflexo do bom momento vivido pelo Brasil durante o ano de 2008, quando o mercado interno se manteve aquecido, o que incentivou a renovação e ampliação de parques fabris das empresas dos diversos segmentos da economia. Também surtiram efeito as ações da ABIMAQ junto ao governo e às instituições de fomento, muitas das quais se traduziram em medidas que acabaram sendo incorporadas na nova política industrial e contribuíram para expandir os prazos das linhas de financiamento do BNDES.
“Infelizmente, a crise internacional, que não foi gerada pelo nosso país, mas que nos afeta, ainda que de forma menos intensa do que em outros mercados, deverá diminuir o ritmo do crescimento industrial como um todo, em 2009, e cujos efeitos serão sentidos em 2010”, destaca Aubert.
Segundo o executivo, como as indústrias do setor de bens mecânicos trabalham no médio e longo prazo, muitos dos pedidos em carteira colocados este ano serão atendidos no início do próximo exercício, assegurando o faturamento do setor até meados de 2009. “Em 2009, se medidas estruturais voltadas para dirimir os efeitos da crise não forem aplicadas, poderemos perder um ano de crescimento e ver a indústria de bens de capital mecânicos voltar aos níveis de 2007”, supõe Aubert. “É importantíssima a manutenção de crédito em condições próximas as de antes da crise e bem como a garantia de que estes sejam direcionados ao setor produtivo de forma permitir assim a retomada do crescimento mais sustentado em 2010”.
Balança comercial
Uma das grandes incógnitas para 2009 refere-se às exportações, uma vez que aproximadamente metade do que é voltado para mercado externo tem como destino os Estados Unidos e Europa, países que estão sendo duramente atingidos pela crise financeira. A retração desses mercados ainda não foi sentida pelo setor nos últimos dez meses, quando as exportações somaram US$ 10,3 bilhões (16,6% superiores a igual período do exercício anterior). “Como alternativa, deveremos centrar o foco em ações voltadas a buscar novos mercados e, em especial, aumentar nossa presença os países vizinhos da América Latina, em que a participação brasileira ainda é muito modesta”, destaca Aubert. O presidente da ABIMAQ lembra que durante 2008 foram trabalhados os mercados venezuelano, peruano, chileno, colombiano e argentino, dentre outros, e os resultados se traduziram no aumento das exportações para aqueles países, o que vem compensando a queda das vendas para os Estados Unidos.
Para Aubert, o Brasil necessita urgentemente de uma verdadeira reforma tributária, trabalhista e, mais que isso, uma revolução na educação, que é a base fundamental para o desenvolvimento de qualquer país. “Gastamos dez vezes mais com o pagamento de juros do que investimos em educação e isso precisa ser mudado se quisermos nos tornar, de fato, um país desenvolvido no futuro”, completa.
Se de um lado a retração do mercado externo e as oscilações do câmbio afetaram negativamente o setor, de outro poderão contribuir para reduzir as importações de máquinas em 2009, o que, segundo Aubert, aumentará a participação da indústria nacional no consumo interno. Esse quadro ainda não se configurou dessa forma em 2008, uma vez que as importações cresceram 47,2% no período de janeiro a outubro, totalizando em valores US$ 18,41 bilhões. O número de empregos também apresentou crescimento de 9,8% no mesmo período, contabilizando 249.697 trabalhadores.



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